Quotation of the Day

Thursday, August 12, 2010

Compreensão/Incompreensão

No conforto de minha casa estava a olhar pela janela e a ver as estrelas no céu. Fui interrompida pelo telefone a tocar.
- Estou? - E fiquei perplexa ao ouvir a voz do outro lado. Queria-se encontrar comigo. E eu pensei: Porquê? Depois da confusão em que o tinha posto, depois de o ter decepcionado mais do que uma vez... Porquê?
Fiquei uns segundos em silêncio e depois disse-lhe que sim, que iria encontrar-me com ele. Perguntei o sítio e a hora e ele respondeu-me que dali a 10 minutos estava em minha casa. E desligou o telefone.

Nesses 10 minutos eu fiquei exactamente no mesmo local, à janela a ver as estrelas no céu, não mudei de roupa, não me maquilhei, nem ajeitei o cabelo. Estava cansada de o fazer, não me apetecia ser boneca só me apetecia ser eu.
Tocaram à campainha e eu, muito calmamente, fui abrir a porta.
Lá estava ele com um olhar preenchido de mil e uma palavras, e não vazio como tinha estado nos últimos dias.
Eu fiz um gesto com a mão para que ele percebesse que podia entrar e um sorriso ao de leve para que ele percebesse que seria sempre bem-vindo e que podia sempre voltar.
Entrou e sentou-se no sofá. De seguida sussurrou um: - Nunca entrei em tua casa. E eu sussurrei um: - Pois não.
E ficámos em silêncio, um silêncio cheio de coisas que queriam ser ditas e não saiam das nossas bocas. Ao mesmo tempo pedíamos desculpa um ao outro. Às tantas sem saber quem era o mais estúpido ali.
Ele aproximou-se de mim, olhou nos meus olhos, tocou ao de leve nos meus lábios com os seus dedos carinhosos e deu-me um beijo de um segundo: - Desculpa ter-te exigido algo que não podias dar.
Segurei-lhe na mão, olhei nos seus lindos olhos: - Desculpa ter fingido que te conseguia amar.
E abraça-mo-nos, sabendo que aquele momento continha toda a verdade sobre os últimos meses.
Desabraça-mo-nos e o que as bocas não queriam dizer os olhos diziam: aquela seria a última vez que estaríamos juntos.

Ele não disse mas os seus lábios pareciam mexer-se para comunicar-me um desejo dele: queria que eu fosse feliz.
Levantei-me e fui abrir-lhe a porta. Levantou-se e foi em direcção à porta.
Antes dele sair cheguei-me ao ouvido dele e agradeci por tudo. Ele respondeu-me com um sorriso suave e foi-se embora.
Fechei a porta, respirei fundo, pensei na sorte que tive por encontrar pelo caminho uma pessoa tão espectacular e fui dormir. Passando-me ao lado todo o seu sofrimento, passando-me ao lado toda a sua realidade que não era a minha.

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Shelfari, os livros que já li =)

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"...o meu coração é uma floresta cheia de nevoeiro - guarda tudo e não encontra nada. Sou uma recordadora profissional. Vivo de recordações, mesmo daquilo que ainda não fiz.E repito infinitamente os mesmos truques. Iludo-me. Penso sempre que amanhã é que vai ser. Desenvolvi um erotismo futurista: deleito me com o puro prazer dos meus sonhos.De certa maneira, já vivi tudo, porque em sonhos consigo projectar-me inteira nos corpos, nos sentimentos e nas experiências dos outros. Tenho uma capacidade estereofónica; posso ter ao mesmo tempo cem e dezoito anos. O que é um cansaço..." IP