Wednesday, September 3, 2008

Na terra dos sonhos


Estava eu muito bem na terra dos sonhos, quando sou acordada de uma maneira minimamente horrível:

-1,2,3,4,5,6,7,8,9,10.


Como se fosse pouco acordar a ouvir números, quem estava a contar era uma criança com uma voz extremamente irritante.

Mal ouvi a sua vozinha deu me longo vontade de lhe dar uma estalada. Quem é que pensava que era para estar aos gritos àquela hora da manhã?!

Tudo bem já eram 10 e tal mas eu quero lá saber, estou de férias, já não se pode dormir até tarde quando se está de férias?!

E enquanto eu pensava nisto tudo, a miúda (pela voz fininha devia ser uma rapariga) continuava com a sua vozinha alegre e IRRITANTE:

-1,2,3,4,5,6,7,8,9,10.

E não se calava com aquilo, deve ter contado umas 5 vezes até 10! Calculo que não sabia contar mais a partir daí ou então eu é que já estava a ter ilusões sonoras.

Ainda pensei que ela poderia estar a jogar às escondidas. Até que ouviu-se um grito:


-Papááá!!!


E eu só gritava para mim mesma:

-Eu não acredito nisto!!!!

E mais uma vez:

-Papáááá!!!

Não sei porque só ouvia a sua voz e não ouvia a de mais ninguém, até parecia que estava a falar sozinha.

Depois como se não chegasse começou a correr, e corria, corria…

Eu na minha caminha já estava prestes a dar um grito! Tipo:


- 11,12,13,14,15,16,17,18,19,20. Cala te e pára quieta!!!!

Depois subitamente parei de ouvir passos, e também já não ouvia gritos.

Eu toda contente virei-me para o lado.

Passou uns minutos e eu levantei-me.

Já não consegui dormir! Depois de tanto barulho, o sono foi-se.

Mas o mais “engraçado” é que a miúda continua na casa ao lado e teve calada o dia todo! Nem um número, nem um papá, nada!

Mas calma que não acaba aqui.

No dia seguinte exactamente às 9,39:

-Papáaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Papáaaa! Papá!! Papá!!


Parecia um disco riscado e eu pensava cá para mim:

-Aquela miúda adora-me!

Levantei-me e pronto! Até parece que o raio da miúda me esta a preparar para a escola, levantar cedo e com o raio do despertador a tocar! Só que em vez de o despertador dizer "Acorda! Acorda!" diz "Papá! Papá!" -.-

Costuma-se dizer que as crianças são o melhor do mundo…Desculpa? Só se for á tarde!

Tuesday, September 2, 2008

Parada no tempo

O mundo parece ter continuado mas eu parei no tempo.
É a fase da adolescência, que não é sim nem é sopas!
Feliz e sempre a sorrir mas parada no tempo.
Como uma criança que não quer saber se hoje é dia 4 ou dia 5, ou como um adulto que de tão ocupado já se perdeu nos dias...

Tanto quero ser tratada como uma adulta como quero agir como uma criança.
Tanto quero chorar porque simplesmente estou triste como quero ser forte como os adultos o devem ser.
Tanto quero ajudar os outros porque os adultos deviam ter essa preocupação, como quero fingir que não percebo os problemas deles por achar que não os vou conseguir resolver.
Tanto falo por pensar que sei o que estou a dizer ("os adultos sabem sempre tudo"), como me calo por perceber que já nem sei porque estou a falar...

Ás tantas não sei bem o que quero ser e que papel hei-de interpretar...

A adolescência é mesmo assim.
Não somos adultos, nem somos crianças, somos uma mistura dos dois!

A filha da minha melhor amiga

Este é o título de um livro que me tocou em todos os aspectos!
Nem sei se consigo expressar em palavras o quanto a história é espectacular...
Durante a leitura fui "criando laços" com a personagem Ryn, senti-me dentro dela, a sentir o mesmo que ela e adorei a experiência.
Sinto que aprendi tanto com o livro... No entanto não sei bem o que possa ter aprendido...
Adorei tudo!
A maneira de ser das personagens, a complexidade dos seus problemas, apaixonei-me completamente pela história.

Resumo do livro: Adele, a melhor amiga de Ryn vai para a cama com o noivo dela. Ryn nunca mais quer ve-los quando descobre, uns tempos depois, o sucedido. Descobre também, para agravar a situação, que a filha de Adele, que ela tanto gosta é filha de Nate, o seu noivo.
Mas passado uns bons anos algo vem mudar a vida de Ryn já estabilizada. Adele está muito doente e pede-lhe para adoptar a sua filha.
Será que Ryn está disposta a fazer isso pela amiga que lhe partiu o coração?
Lê e descobre!

*Se alguém quiser comprar o livro, é da autora Dorothy Koomson.

Monday, August 18, 2008

"Mais vale só do que mal acompanhada."


Como posso ser tão diferente de todos os outros ao ponto de não significarem nada para mim?!
Dizem que não sou normal e eu não acho os outros normais...
Pouca gente se identifica comigo e se eles se identificam, eu não!
Escrevo porque é a minha maneira de me sentir acompanhada.
E nada melhor que a nossa própria companhia.
As pessoas normalmente têm medo de ser esquecidas, eu tenho medo de ser lembrada!
Choro por mim, rio para mim e se estou feliz foi porque assim quis.
O meu mundo gira à minha volta e sinceramente não quero saber se o mundo dos outros não gira.
Pior para eles, sei a pessoa que sou e sei que mereço a amizade e o amor de pessoas especiais.
Se elas não aparecem não vai ser por isso que a minha vida vai acabar.
Não preciso dos outros para ser feliz, alguns ajudam mas há tantos que não...
E assim vou aprendendo a ser feliz quase sozinha, para muitos é difícil, para mim é normal.
E talvez um dia eu mude...bem, espero que não.
Prefiro que os outros mudem. Pois como sempre, acho que sou eu que tenho razão.

Gosto muito dos poucos amigos que tenho. Peço desculpa se neste texto pareceu que não os tinha.




A vida depois da morte


Será que existe?
Será que depois desta vida ainda temos outra? É difícil de acreditar...
Mas li no outro dia um livro que falava sobre isso, 150 pessoas que morreram durante uns segundos ou uns minutos contam histórias inacreditáveis do que lhes aconteceu.
E todas as histórias são parecidas, não podem ter sido ilusões nem sonhos se não todas teriam "sonhado" a mesma coisa e isso é que é impossível.
No entanto ainda é muito difícil para todas as outras pessoas que não tiveram tal experiência acreditar na vida depois da morte.
Por isso é que quando estas pessoas contam esta experiência aos outros, nunca ninguém acredita e muitas vezes ainda lhes chamam de loucos.
É como acreditar em fantasmas ou extra-terrestres, não é fácil, mas algumas pessoas dizem que já os viram e acreditam que eram mesmo reais.

Bem na minha humilde opinião acho que começo sinceramente a acreditar nem que seja na hipótese de existir vida depois da morte.
E ao acreditar nisto tenho de ponderar na hipótese de existirem fantasmas ou mesmo extra-terrestres. Nunca acreditei em nada dessas coisas mas é impossível haver tanta gente a mentir e a "ver" coisas...
Começo a ter uma mente mais aberta e tento perceber o que é real afinal. E talvez o real seja subjectivo...

A vida depois da morte até é uma coisa em que todos deviam querer acreditar, quem é que gosta de pensar que depois de morrer não há mais nada e que acabou-se tudo?!
Não se pensa, não se vive, é o final da nossa pessoa e do nosso "mundo"... Quem é que gosta de pensar assim?
Se realmente existir vida depois da morte nunca mais ninguém precisava de ter medo de morrer pois seria o fim de uma vida e o começo de outra...

Deixo-vos com esta ideia.

Friday, August 1, 2008

Ouve lá, Paulino



" Mensagem muito recente recebida no meu telemóvel: "Olá, eu sou o Paulino e nasci ontem ás 23h27, com 3,400 quilos. Estou de boa saúde bem como a minha mãe e gostaria de agradecer a todos os que nos apoiaram".

O pai do Paulino, um amigo meu, reivindica a autoria da mensagem, que, segundo ele, seria uma forma menos convencional de participar o nascimento do seu primeiro filho. Mas não acredito; as crianças, hoje, já nascem agarradas a um telemóvel, cuja plena utilização (música, vídeo, net, etc.) dominam perfeitamente, coisa que eu não consigo nem tenho pachorra para tentar. Portanto, estou em que a mensagem foi mesmo enviada pelo miúdo, e foi a ele que eu respondi o seguinte:

Ouve lá, Paulino: talvez ainda seja tempo; se puderes, volta para trás.
Não fazes a mínima ideia do sarilho em que vieste meter-te, rapaz. E isto desde os teus primeiros anos neste mundo, a que só não chamo mundo-cão por respeito aos cães. É verdade que, quando entrares na escola, talvez não tenhas como ministra da Deseducação a Dr. Maria de Lurdes Rodrigues; mas não te iludas, ela há-de ter deixado marcas e corres o sério risco de vir a ser um adulto semianalfabeto ou, pelo menos, com uma séria distorção cultural e mental. Para agravar: por essa altura estará a ser transmitida pela TVI a 599ª série de Morangos com açúcar, tu já pensaste no perigo?

E o pior, Paulino, o pior é que do jeito que isto vai de nada servirá adoptares a tradicional solução filosófica e política portuguesa, que é ir para o estrangeiro. O estrangeiro, Paulino, já não será o paraíso terreal onde tudo corre bem, os transportes andam a horas e toda a gente anda contente. Quando cresceres, Paulino, não poderás dizer que isto só neste país. A crise será geral, mesmo porque, neste momento, já é. Ainda ontem eu vi a TV e fiquei com uma séria vontade de suicidar-me.

No dia em que entrares oficialmente na adolescência, o preço do petróleo terá registado um aumento de 12.000.000 por cento e os especuladores que vivem impunemente á conta disso estarão a comprar a sua 20ª moradia de luxo nas Seicheles para instalar a amante nº 159, mas não te iludas, nem uma só migalha irá para ti.

Por outro lado, os povos ocidentais, sortudos que vivem em democracia, não irão mais a votos: estarão nos estádios para não perderem uma pitada dos jogos do Europeu/Mundial/Asiático/Americano/Africano. De resto, em Portugal, o Presidente será o Scolari, já reformado da bola e regressado como D.Sebastião para receber mais uns cacaus que lhe tinham ficado em dívida. Quanto ao Governo, sairá da administração de um qualquer grande grupo empresarial, inicialmente português mas nessa altura já vendido a um grupo espanhol bem conhecido.

Mas insisto, Paulino: isto não será só neste país. Em todo o Ocidente, nem uma voz se terá levantado para perguntar aos vários governos: ouçam lá, ó seus grandes maganões, isto da crise do petróleo não era previsível há já muito tempo? Então, e os investimentos a sério em pesquisa de energias verdadeiramente alternativas, por que não os fizeram vocês? Andaram a cobrar privadamente das gasolineiras? Andaram demasiado ocupados a explorar os países africanos e todos os outros pobres do mundo?

Não, ninguém perguntará isso, Paulino, porque, quando fores adolescente e jovem adulto, o pessoal estará completamente cretinizado - o programa encontra-se agora em curso e vai a bom ritmo, de modo que, nessa altura, terá atingido a velocidade de cruzeiro.

Desculpa se me repito: isto acontecerá, como verás, a nível geral, supranacional. Por cá, também verás, a koisa terá atingidu úm parocsismo: entre akordo ortugrafico, telebes, SMS e TV, tudo cerá ainda pior ke oje e Camões será considerado um autor chato e estrangeiro, a não ler. Bjs e LOL. E :-), também.

De modo que, Paulino, tu vieste numa altura histórica em que a atitude inteligente é não vir. A cegonha, rapaz, a cegonha está desajustada das realidades contemporâneas. A insistência desse incómodo pássaro em continuar a trazer crianças para o lado de cá já começa a tocar as raias do inadequado, até mesmo do indecente. É tempo de a colocar sob a alçada de uma censura moralizadora.

Aliás, falemos seriamente, Paulino: eu, já se vê, regozijo-me com a tua saúde e desejo-te o melhor. Mas que oportunidades, que esperanças podes tu ter neste vale de petróleo a preços himalaicos? Já não falo em oportunidades e esperanças de ser feliz - a propósito: hão-de gritar-te que o consegues com uma nova água de colónia, com o novo desodorizante, com um novo preservativo de sabor a amêijoas à Bulhão Pato, com o novo carro, com o euromilhões, com um novo crédito bancário, com um novo dentrífico. Mas não acredites, meu filho. É tudo só para explorar-te melhor.

Retomo: que oportunidades e que esperanças?
Está bem, podes, com uns jeitos, vir a ser engenheiro, como o excelentíssimo outro; mas isso é vida? E que dirão de ti?
Daí que eu te aconselhe vivamente: se podes Paulino, volta para trás.
Se já não podes, então, pelo menos, adopta medidas de emergência.
Não te filies em nenhum partido, não te faças sócio de nenhum clube, não vejas os morangos, estuda por fora e tenta ir para o campo.

Talvez consigas sobreviver."


Texto de João Aguiar, retirado da revista Super Interessante.

Friday, July 11, 2008

O príncipe e a princesa...


É com este texto que celebro os 100 posts!
Obrigada a todos os que se dão ao trabalho de vir ler os meus textos. Obrigada principalmente á kel, por quase não ter perdido um e ter comentado sempre. Muito obrigado amiga! =) E com isto passo a escrever o meu texto de hoje...


Não gosto quando ouço falar de amor, detesto tudo o que esteja relacionado com isso!
Mas no entanto...
Os contos de fadas com amores perfeitos, cobertos de felicidade são algo que me cativa.
Um pouco pelo sentimento mas também por saber que não é real.

Os filmes românticos são especiais, gosto de ver alguns, encaro a personagem e deixo-me ir...
Mas se for real, irrita-me e é algo a que rapidamente viro costas.
Não gosto de corações, nem de "I love you´s", não gosto da paixão vivida nem falada, não gosto de casalinhos, não gosto dos beijinhos...Não gosto e pronto!
Mas...
Se esse tal amor for escrito com indirectas num livro repleto de tudo menos isso, talvez com algum mistério, pode ser que fique convencida e que embarque nessa história...
Sonhando que um dia ela será minha e que finalmente deixarei de dizer: "Não gosto disto e não gosto daquilo..." e passe a dizer as palavras que tanto me assustam: "Amo-te e adoro-te..."












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