Wednesday, August 26, 2009
Quem és tu?
Friday, August 21, 2009
O mais importante

No outro dia estava eu sozinha a passear no shopping, para variar, quando vi uma cara conhecida.
Era uma mulher com os seus 1,75 de altura, magricela, ar desleixado e uma cara de poucos amigos.
Tive uns segundos a olhar para ela e foi o que bastou para lembrar-me de onde a conhecia. Era uma antiga amiga de escola.
Bolas ao olhar para ela apercebi-me como o tempo tinha passado. Já não éramos aquelas meninas que liamos Witch e passávamos horas ao telefone a falar de coisas sem o mínimo interesse.
Agora éramos duas mulheres e tínhamos seguido caminhos separados.
Há anos que não falava com ela. Já nem me lembro qual foi o momento exacto em que deixámos de falar, penso que foi quando tivemos uma discussão sobre as companhias dela.
Ao lembrar-me disto dirigi-me a ela:
- Olá! - disse eu com um sorriso de orelha a orelha feliz por a reencontrar.
Ela ficou uns segundos a olhar para mim e depois respondeu:
- Ah eu conheço-te... Sara! Estás tão diferente!
E sentámo-nos num café a conversar.
Passei umas boas 2 horas a ouvi-la. Contou-me tudo. Contou-me que não tinha acabado o 12ºano, contou-me que se tinha metido nas drogas no ano a seguir a ter deixado de falar comigo. Contou-me que fez uma desintoxicação há uns anos e que agora tem andado melhor. Contou-me que tinha 2 filhas a viver com o pai porque ainda não se sentia capaz de cuidar delas.
Depois de dizer isto caiu-lhe uma lágrima do olho e admitiu que não tinha era coragem de enfrentar o pai depois de tudo o que aconteceu.
Tentei dar-lhe alguns conselhos e animá-la um bocado. Acho que tive sucesso porque quando nos despedimos ela já tinha um sorriso na cara.
Cheguei a casa e não pude deixar de pensar o quanto mudámos. Sempre fomos muito alegres, grandes amantes da vida, fazíamos dela uma festa todos os dias.
Hoje em dia já não é bem assim. Nem do meu lado nem do dela. Ficámos mais carrancudas e mais pessimistas com o tempo.
Eu deixei de viver a vida e ela estragou a dela. Mas ainda não é tarde demais.
Hoje à noite vou lhe ligar para conversarmos de coisas sem o mínimo interesse e nem quero saber da conta do telefone. Pode ser que ainda vá a tempo e não deixe escapar de vez a criança que há em nós.
Pensamos que o mais importante é termos dinheiro para as nossas coisas e uns quantos amigos e talvez um namorado...
Não. O mais importante é acharmos a felicidade nas pequenas coisas. O mais importante é não deixar escapar a nossa criança. E sermos um pouco crianças para sempre.
Final feliz:
Liguei-lhe no outro dia e no dia a seguir e a seguir. Vou ajudá-la a criar as filhas que agora já vivem com ela. Porque apesar de não querermos que a nossa criança fuja, existem as verdadeiras crianças que ainda precisam de nós.
Ontem fomos passear as 4 e íamos aos pulinhos até ao jardim, nunca reparei no quanto é bom saltar.
E quem olhava para nós perguntava-se:
- A onde é que está a mãe daquelas 4 crianças?
E nós riamos e continuávamos a saltar.
Wednesday, August 12, 2009
Tenho um objectivo: escrever um texto optimista com um final feliz nas próximas semanas.
Vai ser difícil (o meu interior não é muito dado a finais felizes, apesar de já ter escrito textos que não são completamente pessimistas).
Para alguns dos meus seguidores isto também é um desafio.
Para esses, sintam-se desafiados. ^^
E agora passo ao texto de hoje:
Tom sentia-se bem.
Tinha concretizado o seu sonho, estava a "viajar" sozinho. E ainda por cima o sítio que teve como destino era indescritível.
Tom só tinha 13 anos mas o seu espírito aventureiro sempre o levava para longe.
Desta vez tinha ultrapassado as suas expectativas, tinha tido coragem de andar Kms sem a permissão dos pais, estava em pulgas.
Ele não conhecia o local onde tinha ido parar mas já o adorava.
A paisagem para as montanhas era espectacular. Tudo naquele lugar lhe parecia mágico.
Estava um belo dia de sol e não se via ninguém nas casas da redondeza. Tom achou que deviam ter ido todos para a praia visto que não ficava muito longe.
Preferia assim pois era como se toda a beleza daquele sítio fosse só dedicada a ele.
Tom olhou para o seu lado direito e viu um bosque com árvores cheias de pinhas que lhe fez lembrar o sítio onde costumava fazer piqueniques com os avós quando era mais novo.
Quando voltou a olhar para a paisagem ficou perplexo, já tinha anoitecido.
A lua cheia brilhava e iluminava as montanhas, as estrelas eram impossíveis de contar.
Tom ficou maravilhado com a beleza do céu. Sentou-se no chão, depois deitou-se e ficou ali.
Numa certa altura fechou os olhos por um momento, quando os voltou a abrir deu um salto como nunca tinha dado.
Tom encontrava-se na sua cama, no seu quarto, na sua casa.
Levantou-se e foi à janela. O céu estava preto, a lua não se via e as estrelas tinham desaparecido com ela.
- Como pode aquilo ter sido um sonho? - perguntava-se Tom. - Como? Se foi a viagem mais real que fiz até hoje. Se foram os momentos mais felizes. Se foram as paisagens mais espectaculares que eu já vi. Como? Se nunca me senti tão acordado...
Tom, desanimado, voltou para a sua cama...e adormeceu...e nunca mais voltou a acordar.
Monday, July 27, 2009
Divagando

"Acho que a vida de uma pessoa deve ser como um DVD. Podemos ver a versão que toda a gente vê, ou podemos escolher a versão editada pelo realizador - a forma como ele desejava que a víssemos, antes de tudo o resto se ter metido no caminho.
Provavelmente há menus, para podermos começar nas partes melhores sem ter de reviver as piores. Podemos quantificar a nossa vida através do número de cenas a que sobrevivemos, ou através dos minutos em que ficámos lá presos.
No entanto, a nossa vida provavelmente assemelha-se mais a um daqueles aborrecidos vídeos de vigilância. Pouco nítido, por muito que o observemos com atenção. E circular: a mesma coisa, vezes sem conta."
Wednesday, July 15, 2009
Meias-pessoas
"Os homens saem para fazer turismo, para admirar o pico das montanhas, o marulho das ondas dos mares, o fácil e copioso curso dos rios, as revoluções e giros dos astros. Entretanto, não olham para si mesmos."(Santo Agostinho)Muitos de nós só se encontram nos outros, não se encontram em si próprios. Muitos de nós precisam dos “amigos” para sentirem que existem.
Quando estão sozinhos ficam deprimidos e não conseguem viver no sentido completo da palavra.
A solidão é vista como uma palavra negativa na nossa sociedade.
No entanto, se não for muito prolongada é bastante positiva. É nesse tempo que conseguimos pensar no que somos, é nesse tempo que podemos reflectir sobre os nossos actos, sobre o que dizemos e o que deixamos de dizer, sobre a nossa maneira de ser, sobre os nossos defeitos...
Fazem-me impressão as pessoas que precisam de outras para sentirem-se bem.
Aquelas que só se encontram nos outros. Aquelas que sozinhas não são nada. Fazem-me impressão porque não são pessoas são meias pessoas.
Infelizmente o mundo está cheio de meias pessoas.
Perdi-te a ti
Depois lembrei-me que costumávamos sair sempre juntos, sempre aos risinhos e cheios de vontade de enfrentar o dia.
Faltavas tu.
A tua presença fazia parte da minha rotina há meses. Habituei-me a ter-te por perto.
Demorei minutos a sair do prédio tal e qual o tempo que demorávamos por estarmos sempre a embirrar um com o outro.
Quando sai lá para fora os meus lábios secaram. Imaginei-te ali de mão dada com a minha a dizeres ao meu ouvido que ias sentir saudades minhas dali a 5 minutos.
Lembrei-me que nunca mais ia ouvir essas palavras, lembrei-me que nunca mais ia sentir o teu toque.
Uma lágrima caiu-me do olho e a seguir a essa outra e mais outra…
Parei de chorar quando vi o parque onde todos os dias á tarde sentávamos-nos a falar.
Tudo o que tu alguma vez me disseste passou pela minha cabeça.
Até que uma frase se destacou:
-“Não fiques triste porque acabou fica feliz porque aconteceu.”- Tinhas me dito tu num dia em que eu estava triste já nem sei bem porquê.
A partir daí não chorei mais. E sempre que me lembrava de ti sorria.
Sei que era isso que querias, sei que isso tinha te feito feliz…
Mas a verdade é que durante a noite encharco a minha almofada de lágrimas.
Então, só durante a noite, choro por tudo o que eu perdi.
Metade de mim. Perdi-te a ti.
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